Tenho um ritmo descompassado
Difícil de se acompanhar
Ando rápido demais
E o meu pensamento nunca pára
Caminho passos muito largos
E por vezes quero todas as trilhas de vez
Tenho um desejo que nunca sacia
Uma carne quente e inquieta
E duas mãos suavemente frígidas
Pensamentos que se esvaem mesmo que não sejam ditos
Palavras que não alcançam a velocidade do coração
Tenho um corpo que quer mais do que o pouco
Quer demais
Eu vivo num mundo que é quase estranho
Acredito no bom senso, não me admiro com a insensatez
E mesmo assim consigo me surpreender
Dou minha cara a tapa, me redimo, regenero
Volto atrás e vou adiante, paro, mudo de lado
Não falo tudo que sinto
Sinto tudo que vejo
Espero uma recíproca difícil de ser entendida
Porque nem todos podem compreender os meus símbolos
Eu não preciso falar pra conseguir gritar
Nem preciso me desprender pra ser desapego
E sou puro sentimento